sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Câncer de mama: apoio do companheiro é comum e essencial para a cura
Publicado em 3 de outubro de 2013 por Equipe Combate ao Câncer
Existem diversas formas de apoio durante o tratamento, seja com carinho, palavras, abraços ou atitudes; o companheirismo não pode faltar
"Choramos juntos, ele foi um companheirão. Nosso casamento teve um reforço no amor e na confiança um no outro. Na verdade, ele foi meu super-herói", contou a jornalista Daniela Milidiu Foto: Divulgação—
“Choramos juntos, ele foi um companheirão. Nosso casamento teve um reforço no amor e na confiança um no outro. Na verdade, ele foi meu super-herói”, contou a jornalista Daniela Milidiu Foto: Divulgação
“Choramos juntos, ele foi um companheirão. Nosso casamento teve um reforço no amor e na confiança um no outro. Na verdade, ele foi meu super-herói”. A jornalista Daniela Milidiu, 47 anos, ainda se emociona ao lembrar-se de tudo que enfrentou para se curar do câncer de mama. O herói citado por ela é o marido, Felipe Centeno, 50 anos. Daniela demorou meses para ser diagnosticada, mesmo suspeitando de que havia algo de errado com o seio. “Tirei a mama toda, fiz quimioterapia por nove meses e radioterapia”, contou. Do momento do diagnóstico até o final do tratamento, o marido permaneceu ao lado dela. Casos de apoio, como o retratado pelo casal Michel (Caio Castro) e Sílvia (Carol Castro) em Amor à Vida, são cada vez mais comuns.
“As chances de cura aumentaram. Quando o câncer era mais associado à morte, o abandono era maior. Como hoje temos tratamentos mais eficientes, é mais raro abandonar”, disse o presidente do Conselho Técnico Científico da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), Ricardo Caponero. Poder corrigir com mais facilidade a mutilação sofrida com a mastectomia é outro fator impactante, disse o diretor do Centro Oncológico de Niterói, Mixel Tenembaum. Os procedimentos, “principalmente os feitos com planos de saúde particulares, já permitem que, junto com o mastologista, haja um profissional para fazer a correção da parte estética”, relatou.
A falta da mama pode gerar vergonha do companheiro na mulher, comprometer a vida íntima e culminar na separação, acrescentou Tenembaum. Para o oncologista da Oncomed de Belo Horizonte, Ellias Magalhães, a reação do marido é influenciada também pelo nível sociocultural e pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) apresentam mais casos de abandono pelo cônjuge do que os particulares. “Ouvi relatos pesados de maridos que disseram ‘olha, eu não sou para ter mulher aleijada, com um seio só, não dou conta disso’. Outros arrumaram amantes”, contou Daniela.
Os relatos de Daniela são exemplos dos casos mais frequentes, segundo Magalhães, pois estão ligados à feminilidade da mulher. “Tanto a queda do cabelo como a retirada da mama afeta a estética feminina”, disse o oncologista, e alguns homens não conseguem lidar com a mudança. O problema, para Caponero, é enxergar a companheira como mulher e não como um par de seios, pois não é a falta de uma mama que vai acabar com a sexualidade do casal. A questão, segundo o oncologista, é psicológica, como contou Daniela. “Eu não me sentia à vontade pelada, mas achamos maneiras de não colocar tanto peso na aparência. Vi que não era só a minha forma que atraía o meu marido, mas meu conteúdo”, disse ela.
A gente fica com vergonha. Até para ter relação, mas depois ele me deixou tão à vontade, me elogiava tanto, que eu comecei a me sentir linda careca
Ana Carolina Calabro Queiroga – 37 anos
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